domingo, 13 de dezembro de 2015

libido

não é segredo.


são as tuas palavras que me rasgam a carne.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

https://vimeo.com/15722038

Se tivéssemos dançado, não tínhamos morrido.

Mas qual seria o sabor dos teus lábios se não tivéssemos provado a morte?

c.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Acende a luz do corredor
Corta as cordas que me cercam os pulsos
Levanto-me. Tenho as pernas dormentes.
Tenho o vício e o esquecimento apodrecer no quintal.

Aproximo-me da mesa, tem pratos sujos e mosquitos mortos.
Sento-me, fumo um cigarro e choro.
O cigarro apaga-se.

Acende a luz do corredor
Fica aqui só uns minutos
Vês aqueles pássaros através do vidro sujo?
Não vês?
Deixa estar. Deixa lá. Vai-te embora.

Prende-me os pulsos.
Come-me o coração.


Apaga a luz.


c.
http://www.youtube.com/watch?v=vXj2VF9eLYg

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Ama-me como se eu fosse eterna
E do meu peito resvalassem todas as incertezas
Escreve o meu nome na porta do teu quarto
Ao lado dos caçadores de sonhos e das gaivotas de latão
Não me deixes entrar. Fecha-me a porta, arranca-me os braços,

mas

Crê em mim, como nas aves nocturnas
Acredita nos meus olhos e no nevoeiro
E desenha nos meus lábios o teu grito mais longo

Abraça-me como se morrêssemos
Como se dobrasses uma folha de papel e a guardasses no teu maior livro.
Pousa as tuas mãos no sentimento mais fundo
Finge que sabes como dói.

Deixa o ar quente escorregar pelos teus lábios
Em direção ao meu pescoço, morde-me a pele
Deixa-me ser tu. Deixa-me ser eu.
Não me deixes entrar. Fecha-me a porta e arranca-me os braços.

mas

deixa-me ser a lâmina que te atravessa o coração.


c.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

resta a memória.

de quando os teus sonhos eram os meus sonhos
e fugíamos a evitar os dias, a contrariar o tempo.
as flores nasciam na berma das estradas
amarelas como o vício.

dás-me a mão e nunca mais te perco,
fazes de cada palavra uma promessa
um ponto sem retorno a coisa nenhuma

resta a memória.

do alucinante movimento da língua
em torno do desassossego
a imensidão da água na tepidez dos sacrifícios
dos corpos  inertes e do frio

talvez se abra uma janela num dia qualquer
no futuro, talvez se esqueçam todas as dores
as feridas poderão sarar e ponteiros alinhar-se

ficará apenas o rio, a descer suavemente a encosta
a previsão do incêndio e do nevoeiro
o sabor a sangue nos lábios.



E tu?